
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida .Terminou uma relação. A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações.
Eu posso passar muito tempo me perguntando por que isso aconteceu....
Posso dizer para mim mesma que não darei mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na minha vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: meus pais, meus amigos, meus filhos, meus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que eu estou parada.
Não podemos estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não posso ser eternamente menina, adolescente tardia, filha que se sente culpada ou rancorosa com os pais, amante que revive noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que temos.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espero que devolvam algo, não espero que reconheçam meu esforço, que descubram meu gênio, que entendam meu amor. Vou parar de ligar minha televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como eu sofri com determinada perda: isso o estará apenas envenenando-me, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas que não são cumpridas, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, eu preciso terminar o antigo: digo a mim mesma que o que passou, jamais voltará!
Lembro-me de que houve uma época em que eu podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais em minha vida.
Fecho a porta, mudo o disco, limpo a casa, sacudo a poeira. Deixo de ser quem era, e me transformo em quem sou. Torno-me uma pessoa melhor e asseguro-me de que sei bem quem sou eu própria, antes de conhecer alguém e de esperar que ele veja quem eu sou..
E lembro-me :
Ana Albert´s Brasília: 07/10/2008.